Locke
e Link eram irmãos gêmeos e durante a maior parte de sua infância sofreram
todos os tipos de tortura mental e física por parte de seu pai, qd estavam
próximos dos 8 anos de idade sua estimada mãe recorreu ao conselho de Domaric,
tendo como objetivo inseri-los na academia imperial, mesmo que essa decisão
pesasse em seu coração e que a ausência de seus amados seria sentida como se
fosse o fim de sua vida, não titubeou, até pq ela via como a melhor escolha em
todos ambitos, já que culturalmente e politicamente teriam papeis mais
importantes em Anderiath ao invés de se
tornarem meros agricultores, mas principalmente por temer os danos
irreversíveis que seus filhos sofreriam em um ambiente pouco saudável, pois
assim percebia sua casa.
Monesa
era uma bela mulher beirando os 30 anos humanos, pele branca cabelos ruivos,
longos e cacheados, tinha fala espaçada e embora tranquila tinha personalidade
muito forte e costumava ser muito firme em suas decisões. Trabalhava em uma
vinícola em Dori e embora de certa forma fosse infeliz e submissa ao seu marido
alcoólatra sabia manejar uma espada como poucos em sua pequena cidade, técnicas
aprendidas de seu falecido pai. Mesmo com essa habilidade nunca retrucou com
violência.
Sabia
que pesava contra, o fato de seus filhos terem sido selecionados anteriormente,
ainda quando bebês para serem treinados na capital que na oportunidade acabaram
não indo graças a influência de seu pai (que era um oficial de 1º grau muito
querido em Misidia) o conselho inferior reconsiderou o pedido. Mas não antes de
Barbariccia (Um membro do conselho superior) se pronunciar: “Saiba que aqui não abrimos exceções, ou
melhor, raramente o fazemos. A escolha dos discípulos não é feita exatamente
por nós, entretanto deliberamos a respeito mas nada impede que hajam
consequências piores com a tomada dessa decisão.” Disse por detrás de seu véu negro,
Barbarricia era intimidadora normalmente vestida em preto, não possuía um olho,
aonde uma mancha escura ocupava o espaço e era a responsável pelos ensinamentos da
magia necromante na academia, detinha além de uma cadeira no conselho superior
o título de mestre e autoridade máxima nesse assunto.
Mas
para outros especialistas o amor de uma mãe poderia ser o maior título que um
filho poderia receber...
E
lá estava Monesa novamente a visitar a Capital Misidia e a se ajoelhar em
prantos desfazendo o pedido que havia feito a 8 anos, dessa vez sem seu pai ao
lado diante de um representante
imperial, mas ela guardou um sentimento tão profundamente dentro de si que nem a magia foi capaz de detectar em seu discurso
inflamado, o fato de seus filhos já crescidos terem um vinculo afetivo indefectível
com ela, assim resolveu seu pensamento.
“Ó representante do Império, peço para que
releve minha atitude intempestiva em relação a minha decisão no passado,
naquela época minha imaturidade me cegou, agora enxergo melhor que os falcões
que aqui sobrevoam esse majestoso castelo, o melhor destino para meus filhos,
desejo que a eles seja dada uma nova oportunidade não puna as crianças por algo
que na época elas não tinham poder de decisão, por causa de uma mãe desesperada
pelo amor mais importante de sua vida, fui egoísta não havia pensado no futuro
deles, choro toda noite imaginando a oportunidade que talvez não volte , por
favor informe ao conselho sobre isso a meu favor.”
O
representante de sua cadeira levanta: “Entendo
sua dor e arrependimento, mas receio que eles estejam demasiadamente velhos
para ingressar em nossa academia.”
Monesa
responde: “Compreendo, meu senhor mas não
aceito essa justificativa, tão logo que tenho conhecimento que crianças
selvagens advindas de Luriath até mais velhas foram aceitas pela academia imperial .”
Novamente
o representante responde: “Monesa, não
enxergo sobriedade em suas palavras, mas mesmo assim levarei seu pedido ao
conselho, mas desde já entenda que até os meninos mais velhos quando
trazidos de Luriath passaram pela aprovação do comitê, ou seja, ninguém
interferiu nessa decisão, como aq vc insiste em fazer apelando para as leis da
ocupação.”
-“Não me importam as consequências, se
tivesse que trocar minha vida por algo nesse mundo, seria por isso, a lei da
ocupação me respalda e imploro para que seja aplicada.” Disse.
-“Que assim seja!” Finalizou.
Mais
8 anos se passaram desde então e o destino de Monesa será abordado novamente,
mas não agora nesses registros.
Locke
e Link acabaram por serem aceitos e ingressaram na academia e se desenvolveram
com uma rapidez descomunal e nessa altura eram cadetes de 2º grau e nesse exato
momento era um domingo e após o horário do almoço as 14 horas sentavam ao lado
da fonte e papeavam entre si, o local era a praça central aonde pedras brancas pavimentavam as vias de forma simétrica, ao redor edificações que serviam como salas de aula, alojamentos ou campos de treinamento. Haviam também bosques verdejantes repletos de pássaros que cantarolavam e agraciavam o coração, como bardos voadores e livres na natureza.
Eram
diferentes da maioria dos estudantes, pois chegaram ao regime interno com vínculos
afetivos com sua referida família, algo atípico entre os alunos na academia e
não eram felizes nem tristes tinham um misto de sabedoria e indiferença. Locke
havia se qualificado em artes da furtividade e fuga e almejava se tornar um
espião do império já o Link havia estudado as artes da guerra, combate e
adotara a escola do fogo como seu conhecimento primário, admirava um instrutor
em especial, Eron, controlador das
chamas, sentira muito sua falta pois a três semanas partira em uma missão nos
ermos, soube que ele havia ido em busca de alguém, mas essa era a única
informação que possuía. Planejava se tornar um capitão do império assim como
seu admirado.
Locke
então rasga o silêncio: “Sabe, as vezes
gostaria que o resto do mundo funcionasse como aqui, dentro da academia.”
“Como assim?” Indagou Link
“Digo, professores deveriam ensinar e alunos
aprender.”
“Claro, claro, isso é meio óbvio”
Respondeu esboçando um sorriso no canto da boca.
“Por acaso está fazendo piada de mim? Pois
fique sabendo que o que digo faz MT sentido.”
“É?”
“Sim, um lugar aonde os professores ensinam
e os alunos aprendem, aonde os pais cuidam os os filhos cuidados e não o
inverso.”
Link
ajeita o pescoço e olha de lado como se começasse a entender, mas se mantém em
silêncio durante alguns segundos até que responde –“Mas o que vc conhece do mundo além da área de Misidia que nos é
permitido vagar, os bosques da academia, as salas de aula o campo de
treinamento, ou aquela feira élfica ou mesmo na nossa única excursão até os
portões fronteiriços com Beriath?”
Então
rapidamente responde- “E Dori? Não se
lembra dos riachos, das ameixeiras e dos campos das flores brancas, vc não
lembra?”
“E das mãos pesadas e porão do velho magote?
Vc também não lembra Link?”
De
alguma forma na conversa, eles evitavam falar da mãe, como se fosse algo MT sensível
para ser conversado, ou msm a ansiedade e o quão dolorosa essa suposta conversa
poderiam ser.
“Lembro sim, mas acho que em minha memória
prefiro lembrar de pular da arvore na água, o som do riacho e da água desviando
das pedras.”
Link
permaneceu em silêncio mais alguns segundos e Locke novamente se pronunciou –“Acho que agora vc entende por que eu
gostaria que o mundo fosse como aqui na academia.”
Locke
responde-“Sim, eu entendo, mas tem algo
que não entendo.”
“O que seria?” Respondeu já perguntando.
“Se vc já vive nesse lugar que lhe inspira
como exemplo pq está tão crítico?”
“Não estou sendo crítico Link, estou apenas
falando sobre minhas expectativas, imagine, dentro de alguns anos quando nos
formarmos teremos mais autonomia, teremos direito as riquezas da nação poderemos
comprar nossa própria casa e até poderemos desbravar o mundo ai por fora
livremente.”
“E é para isso que vc se empenha tanto?
Somente para se livrar da academia? Não vejo dessa forma, gostaria de expandir
o império, viajando os mares infinitos e quem sabe um dia fazer parte do
conselho ou mesmo ser a voz de Domaric(Domaric é o Dragão imperador dessa
nação), como vc disse esse é o mundo perfeito e ainda assim vc parece
insatisfeito, isso seria traição e muito individualismo depois de tudo que nos
foi dado aqui, o conhecimento e todo acolhimento que nunca tivemos.”
“Que nunca tivemos?”
Após
essas últimas palavras a sirene tocou, era horário de se recolher e se preparar
para os árduos treinamento que reiniciariam na segunda, e junto daquele
estridente som que simbolizava o término ficou claro que algo mudara na relação
dos dois. DE longe pela Janela Benetram, que era o reitor observava atentamente
a intensa conversa entre os irmãos.
Continua...
Nenhum comentário:
Postar um comentário